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Atirar em situação real não é tão simples como dar tiros em um stand. Dizemos que para sobreviver em uma situação de risco são necessários três domínios básicos, formando o chamado triângulo de sobrevivência.

Os itens deste conjunto são: a técnica, a tática e, como base, o controle emocional. Vamos discorrer rapidamente sobre cada um deles.

A técnica, o mais fácil de se adquirir, conseguido com estudo e treino, consiste em conhecer a arma, formas de carregar, porte, resolução de panes, mira, respiração, dedo no gatilho e tudo mais que é utilizado para dar um tiro preciso. A técnica, assim como os demais itens, devem ser exaustivamente treinados a ponto de chegar à conhecida memória muscular, ou seja, agir sem necessidade de pensamento, o corpo se move e age por si só. A titulo de curiosidade, a memória muscular é utilizada nas mais diversas artes marciais, por isto o uso de “katas” e infinitas repetições.

A tática consiste no conhecimento para o correto uso da técnica, podemos enquadrar aqui, a grosso modo, a decisão de se atirar ou não, a forma correta de se mover com uma arma, de se ocultar sobre uma cobertura ou abrigo, de entrar num recinto. Novamente é necessário treino e estudo, além de orientação profissional, para conhecer as melhores táticas. Existem dois “estilos” principais de táticas que podem ser usados como base, o norte americano e o israelense. A melhor opção é estudar e praticar os dois e adequá-los a sua realidade.

Por fim, e o mais importante, por isto esta na base do triângulo, o controle emocional. Quase impossível de ser treinado e variando muito de pessoa para pessoa. Podemos simular situações de estresse, treinar técnica e tática para melhorar a confiança, todos os itens podem auxiliar na situação real. Mas saber exatamente como agir, e manter o controle emocional, só mesmo no momento. Por isto é importante o treino repetitivo e a memória muscular, para tornar a ação mais instintiva e menos racional.

Dominando estes três campos, suas chances de sobrevivência aumentam.

Basicamente, o que pretendo falar é sobre o preparo psicológico necessário para se portar uma arma, e sobre as possíveis conseqüências do ato de se sacar tal instrumento.
O primeiro item, já um clichê, e provavelmente todos os demais itens acabem sendo relacionados a este primeiro.
“Se você anda com uma arma, deve estar preparada para usá-la”, uma arma é um instrumento feito para matar, por mais que se diga que é para defesa, prevenção, ou seja lá qual o motivo, o objetivo fim de toda a arma é provocar a morte. Estar preparado para usar uma arma é nada mais que estar preparado para matar.
“Nunca aponte uma arma se não pretende atirar”, como disse, esta ligado ao primeiro tópico. Se você tiver uma arma, empunha-la e não estiver disposto a usar, esta arma estará te trazendo mais riscos que segurança. Muitas poucas pessoas matam apenas por matar, por mais que gostem, matar alguém sempre traz problemas. Raro vai ser as vezes que você se depare com alguém decidido a lhe matar, porém, se você aponta uma arma para uma pessoa, por mais que ela não tenha a intenção assassina, ela vai deixar de lutar contra você para lutar pela própria sobrevivência, qualquer ser humano lutando pela sua vida estará disposto a acabar definitivamente com o que ameaça sua existência.
Quando você aponta uma arma para alguém, que inicialmente só pretendia te dar uns tapas na orelha, você acaba de provocar a possível causa de sua morte, e ainda, podendo morrer por um tiro disparado pela sua própria arma.
“Estar preparado para matar, é também, estar preparado para morrer” esta na verdade é minha opinião pessoal, nunca vi nenhum estudo ou palestra sobre o assunto, mais não adianta você ter a intenção de matar, se não estiver disposto a morrer, a não ser que você seja um atirador de elite, que utilize uma arma de longo alcance, existem chances gigantescas de sua vida estar em risco quando se deparar com uma situação que deva matar alguém, as reações de uma pessoa que esteja a beira da morte são imprevisíveis, incluindo as suas, e todo seu preparo, estudo, treino, vão para o espaço. Você deve estar consciente de que se pretende matar, pode morrer, e estar preparado para se necessário morrer. Pensar assim permite manter a calma em situações de risco, quando você perde o medo da morte, isto lhe da o poder de pensar e agir racionalmente mesmo com uma arma na sua cabeça.
“Se for para atirar, atire para matar” este também é um tópico incluído por mim, tive o azar, ou a sorte, de conviver com bandidos, traficantes e mais um povinho ai, e ver como as coisas funcionam. Atirar no braço, perna, ou qualquer ponto não vital provavelmente pare seu oponente, mais isso é um ponto temporário, o mais esperado de uma pessoa que foi atingida, humilhada, e muito prejudicada por culpa de um tiro seu, queira se vingar. Ferir um assaltante, manda-lo para o hospital, depois algum tempo na cadeia e depois disso, toda uma vida com a possibilidade dele estar atrás de você. Por mais que você não atire, quebrado a segunda regra, e o individuo fuja. Também existe uma boa possibilidade dele procurar um momento melhor para terminar o assunto.

Certo ou errado, é assim que penso, até alguém me mostrar que posso estar errado.