Já citei que meu fascínio por armas de fogo não esta limitado ao tiro, a mecânica das armas é algo que impressiona pela simplicidade e funcionalidade. Nos posts antigos, há um breve comentário sobre o funcionamento do AK-47, fuzil mais difundido no mundo (e a arma que causou mais mortes na história), mas deixando ele de lado, começarei uma série sobre o funcionamento das armas, revolver, pistola, metralhadoras e afins. Não tenho duvida de que todos irão se surpreender pela simplicidade destes mecanismos, que dão o poder de vida ou morte a alguém apenas com o acionamento de algumas poucas molas e alavancas.

Mas antes de entender como funcionam as armas, é necessário saber como funciona a munição, a maior dificuldade no nosso estudo é a nomenclatura, por não existir uma bibliografia respeitável sobre o assunto, uma fonte de conhecimento, é aceito diversos termos para o mesmo objeto. Tentarei lidar com isso da melhor forma possível, mas adianto que caso pretendam aprofundar suas pesquisas na mecânica de armamento, irão se deparar com diversos nomes desconhecidos.

Enfim, a munição, dividida em 4 partes principais.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O estopim ou espoleta, a cápsula ou estojo, a pólvora ou propelente, e o projétil. A função da espoleta é dar a ignição para a queima do propelente. Ela é a responsável por quando receber um forte impacto (vindo do percursor da arma) gerar faísca e iniciar a queima do propelente.

A cápsula tem a função de isolar o propelente do meio, impedindo a entrada ou saída de ar ou qualquer outra substancia. A função do projétil é manter lacrada a cápsula até o momento do disparo e ser impulsionado até o alvo.

E o propelente, que é o real responsável pelo disparo, diferente do que é conhecido popularmente, o propelente não explode, então, o projétil não é arremessado devido a explosão. O que ocorre é a queima gradual do propelente, gerando gás em alta temperatura.

Este gás aumenta a pressão interna dentro da cápsula, até o ponto em que o projétil não consegue mais manter a cápsula fechada. Neste momento o projétil é empurrado gradualmente para frente pelos gases em alta temperatura, que continuam agindo e aumentando a energia do projétil até que este saia do cano da arma.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Simples e fatal, é assim que uma munição funciona. E cada arma utiliza estas propriedades de uma maneira. Um revolver perde potencia devido a distância entre o tambor e o cano, dissipando gases. A pistola aproveita a ação e ração criada pelos gases, aproveitando a força gerada em sentido contrário ao projétil para a recarga do próximo tiro, e com isto, reduz o recuo da arma. Fuzis, em geral, aproveitam a pressão do gás em alta temperatura para alimentar o funcionamento dos disparos em rajada e tiro continuo.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A diversos outros itens importantes sobre as munições, como por exemplo, elas criam uma parábola, e não percorrem uma linha reta, assim sendo, só existem 2 momentos em que o projétil esta exatamente no ponto indicado pela mira. Além disso, há diversos tipos de projeteis, perfurantes, ponta oca, hydra, etc. Mas se formos falar sobre todas as características das munições, teríamos um livro, não um artigo.

Tiro olímpico

agosto 7th, 2008 2 Comments

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Armas são fascinantes em diversos aspectos, seja sua mecânica, sua história, sua influência sobre as pessoas ou sua adaptação para o esporte. A adaptação de uma ferramenta criada com o intuito inicial apenas de matar e causar dor apresenta o efeito inverso no esporte, temos prazer, conquistas, superação e diversos outro aspectos positivos da pratica de esportes envolvendo armas de fogo.

Há registros datando o inicio do tiro esportivo no século XIII, porém, ele só atingiu repercussão e organização como prática esportiva no século XIX. Um dos fatores que contribuiu com o crescimento do esporte foi as restrições para a caça, fazendo os atiradores a alterar sua forma de lazer, sem deixar de atirar. E finalmente em 1896 (Atenas) foram incluídas nove modalidades de tiro nas olimpíadas, neste ano, o tiro esportivo teve o maior numero de atletas nas olimpíadas.

Iniciou-se a criação da federação internacional em 1906, gerando uma constituição e um regulamento para pratica do esporte, assim como um manual de conduta e organização de competições. Só então as modalidades foram classificadas por tipo de arma, alvo, etc.

Porém, o esporte encontra dificuldade durante as duas grandes guerras mundiais, a federação internacional foi rompida em 1915 e retomada apenas em 1921, suspensa novamente no inicio da segunda guerra e só em 1947 volta as atividades como uma federação unida.

Hoje o tiro olímpico é dividido em três categorias, sendo elas, pistola, carabina e tiro ao prato E um total de 15 provas, mostradas a seguir.

Pistola de ar 10m (60 tiros) masculino;
Rifle de ar 10m (60 tiros) masculino;
Pistola de fogo 25m (60 tiros) masculino;
Pistola 50m (60 tiros) masculino;
Carabina (Rifle) 50m em 3 posições (3×40 tiros) masculino;
Carabina (Rifle) pronado 50m (60 tiros) masculino;
Fossa dupla (125 tiros) masculino;
Skeet (125 tiros) masculino;
Fossa (125 tiros) masculino;
Pistola de ar 10m (40 tiros) ferminino;
Carabina (Rifle) de ar 10m (40 tiros) feminino;
Pistola 25m (30 mais 30 chutes) feminino;
Rifle em três posições 50m (3×20 tiros) feminino;
Skeet (75 tiros) feminino;
Fossa (75 tiros) feminino;

No Brasil o tiro iniciou com um movimento mais forte na região sul, onde a caça já era uma tradição, e ganhou força em 1899 com a criação do Tiro Nacional, um projeto militar para prática de tiro com armas portáteis, além de familiarizar a tropa com os armamentos disponíveis. Mesmo sendo um projeto subordinado ao 4º Distrito Militar, o Tiro Nacional foi aberto a civis interessados na pratica do tiro.

Em 1º de abril de 1899 tivemos os primeiros exercícios de tiro no Rio de Janeiro, nesta época também criadas as associações de tiro no Rio Grande do Sul, Paraná, São Paulo e Rio de Janeiro. O resultado deste movimento foi a primeira medalha de ouro do Brasil em uma olimpíadas, em 1920, com Guilherme Paraense, no mesmo ano tivemos mais uma medalha de prata e outra de bronze, em modalidades por equipe. Infelizmente a ascensão do tiro nacional parou ai, sem nunca mais um brasileiro subir ao podium. Conseguimos um quarto lugar em 1984, ano em que também conseguimos a melhor colocação nas modalidades femininas, o sétimo lugar de Débora Srour. Nos últimos 24 anos o Brasil não conseguiu nada melhor que a 14º posição.

No histórico das competições de tiro os EUA tem a melhor colocação, com um total de 97 medalhas, 48 delas de ouro. Em segundo temos a União Soviética, seguidoa por Suécia e China, o Brasil na 32ª colocação.

Neste site você encontra a programação das provas de tiro destas olimpíadas:
http://olimpiadas.uol.com.br/2008/calendario/tiro.jhtm
Porém, os canais por assinatura só iram transmitir as finais das competições, nenhum canal aberto transmitira provas de tiro, e nenhum website terá este conteúdo ao vivo pois o Comitê Olímpico Internacional não permitiu.
A ISSF TV (http://www.issf-shooting.org) transmite ao vivo todas as provas de tiro das Copas do Mundo e Campeonatos Mundiais. Não poderemos acompanhar as olimpíadas, mas no futuro haverão provas que valem seu tempo.

Algumas curiosidades sobre o tiro esportivo.

O sargento húngaro Karoly Takacs, campeão mundial de pistola em 1938, perdeu a mão direita numa explosão de granada. Aprendeu a atirar com a mão inábil e 10 anos depois, Takacs conquistou as duas medalhas de ouro da categoria rapid-fire
 
Em 1920, ano em que o Brasil conquistou as medalhas, nossa munição havia sido roubada. Pudemos competir graças aos EUA, que emprestou a munição ao Brasil.

Em 1900 (Paris) houve a prova de Tiro ao Pombo, devido a protestos do publico apnas 4 dos 55 participantes comparecera a competição, que nunca mais se repetiu. A medalha de ouro foi para o Belga Leon Lunder.

Há uma piada que diz que Deus criou os homens, mas foi Colt quem deixou todos iguais. E não há como negar que sua primeira invenção (o revolver) teve grande impacto no mundo. A partir de agora qualquer homem poderia matar outro em segundos, não importando tamanho ou força.
Não vamos discutir aqui questões morais ou éticas sobre esta criação, creio responder sobre isso da mesma forma que o criador da AK-47 respondeu quando foi acusado de ser responsável por milhares de mortes. “Eu realmente criei a arma, mas não criei a forma como as pessoas as usam.”
Voltando a Colt, vamos entender como ele virou, talvez, o nome mais importante relacionado as armas de fogo. Nascido em uma família de agricultores em 19 de julho de 1814, com sete irmãos (4 meninos e 3 meninas) dos quais dois morreram ainda na infância e uma das irmãs cometeu suicídio mais tarde. Sua mãe, Sarah Caldwell, também faleceu quando Samuel ainda era criança.
Não sabemos com precisão quando nem como, mas Samuel adquiriu uma arma antes de completar 10 anos. Com 11 anos ajudava na fazenda do pai e freqüentava a escola, onde conheceu a “Compendium of Knowledge”, uma enciclopédia cientifica que o pequeno Colt lia em vez de fazer de fazer os estudos bíblicos. Esta enciclopédia foi a motivadora de Samuel, que após ler artigos sobre Robert Fulton e sobre pólvora decidiu que Fulton e vários outros inventores criaram coisas ditas como impossível, então decidiu que seria também um inventor e deveria criar a “arma impossível”. Vale lembrar que nesta época todas as armas deveriam ser carregadas tiro a tiro, manualmente. As chamadas pistolas da época não passavam de “canhões de mão”, onde deveria ser colocada o estopim, a pólvora e o projétil no cano da arma.
Em 1829 Colt inicia os trabalhos com seu pai em uma fábrica têxtil, onde teve acesso a ferramentas que possibilitaram a montagem de seu primeiro explosivo, detonado no Lago Ware. Em 1832 seu pai o mar com o objetivo de aprender a ser marinheiro do comércio, Colt embarca em uma viajem missionária a Calcutá, com o objetivo converter os habitantes ao cristianismo.
Inspirado na roda deste navio Colt tem a idéia mais importante de sua vida. Ali foi concebido o revólver. Voltando aos estados unidos Colt, com financiamento de seu pai, constrói suas duas primeiras armas. A primeira delas rompeu no momento do disparo, a segunda, não disparava. Então Samuel volta a trabalhar na fabrica têxtil, mais tarde aprende sobre óxido nitroso (gás hilariante), e com um laboratório portátil saiu pelos EUA e Canadá ganhando a vida realizando manifestações com o gás.
Com 18 anos, Colt resolve voltar ao projeto do revolver, vai para Inglaterra e cria sua primeira patente (número 6909), devido a questões políticas britânicas para criação de armas, Colt segue para França com o objetivo de promover seu invento. Nesta época emergem conflitos entre os EUA e a França e Colt vê uma oportunidade se formando. Retorna ao seu país e apresenta seu projeto a fabrica de armas Patterson. Colt cria a patente X9430 e n º 1304, de 29 de agosto de 1839, envolvendo o mecanismo de armas giratórias.
Mais tarde a indústria Patterson se dissolve e Colt recebe sua quota por cada arma vendida, este foi o inicio das armas de repetição. Inconformado com o alto custo e o processo quase artesanal das armas, Colt começa a pensar na possibilidade da produção de armas como uma linha de produção. Porém, não encontra empresas interessadas em financiar suas idéias. Com um empréstimo do primo Colt vai a Washington e apresenta pessoalmente seu projeto ao presidente Andrew Jackson, que escreveu uma nota dizendo que se interessou pelo projeto. Esta nota fez com que Samuel demonstrasse sua arma aos militares, porém, novamente por questões legais os militares não poderiam investir em um armamento como o de Colt, que nem mesmo possuía credibilidade.
Com a guerra contra os Seminoles, na Flórida, Colt pode vender seus primeiros revolveres e mosquetes giratórios. Os soldados da Florida aprovaram a nova arma, mesmo ela ainda apresentando alguns problemas. Colt então reformulou o design para melhorar seu produto.
Em 1843, devido a problemas econômicos, Colt se vê obrigado a deixar de lado as armas, junta-se com Samuel Morse e tentam o mercado de detonadores elétrico subaquáticos, os detonadores não dão o retorno esperado, porem os cabos usados por eles se mostram excelentes para ligar telégrafos por baixo de rios e lagos, e até um projeto para cruzar o Oceano Atlântico.
Inesperadamente, em 1847, Colt recebe um pedido de 1000 revolveres para o Capitão Sam Walker, que havia comprado uma das primeiras armas de Colt. Não tendo fabrica para a produção, Colt pede ajuda de Eli Whitney Jr. Colt, junto ao capitão, desenvolveram um novo modelo de metralhadora que Whitney produziu. Colt ganha parte dos lucros, ganhando 10 dólares por arma.
Mais tarde Colt pode criar sua própria fabrica, a Colt’s Patent Fire-Arms Manufacturing Company, seu sucesso cresce tanto que o nome Colt chega a ser usado como sinônimo para revolver. Devido às inúmeras patentes Colt detinha um monopólio virtual do mercado de armas e começa a vender para mercados estrangeiros.
Devido a tensões internacionais a Europa faz um grande pedido a Colt, e temendo ficar para trás cada nação procurou as armas Colt’s. Colt constrói sua maior fabrica ao lado do Rio Connecticut, aplicando a técnica de produção em série e estabeleceu uma carga horária de 10 horas por dia, com uma hora de intervalo para o almoço. Construiu a Charter Oak Hall, um clube para funcionários com quartos, jogos, jornais, etc.
Totalmente bem sucedido, Colt se casa em 5 de junho de 1856 e se casa com Elizabeth Jarvis, morando juntos em Hanford até sua morte, em 1862. No momento de sua morte, seus bens foram avaliados em 15 milhões de dólares, deixando a fabrica para Richard Jarvis e os demais bens para sua mulher e filho.
Colt foi enterrado no Cemitério Cedar Hill, Hartford, Connecticut.